*Marcus Henrique Wächter

Na história recente nunca se viveu um ano como este.
Com a previsão inicial de que 2020 seria o ano da retomada do crescimento econômico, mesmo os mais experientes analistas de cenários não puderam, nem de longe, prever o ano que estava por vir.
As primeiras previsões internacionais acerca do impacto da pandemia no mundo e no Brasil eram catastróficas e levaram muitas instituições a tomarem atitudes erradas, como por exemplo investir em equipamentos, área física e pessoal para atendimento de um grande volume de pacientes, o que de fato não aconteceu. Houve sim demanda por leitos de UTI, que com o aumento da capacidade instalada atendeu as necessidades de cada fase da pandemia.
As dificuldades impostas pela pandemia do Covid-19 são inúmeras, deixaram e deixarão muitas sequelas nas organizações de saúde.
Com o som do “fique em casa” ainda ecoando nos ouvidos, vimos a demanda por serviços ambulatoriais, de diagnóstico e internações não Covid caírem próximo a zero, causando forte impacto no faturamento dos hospitais.
Na segunda onda, observamos o aumento dos preços de insumos, como por exemplo aqueles de proteção individual e a falta de medicamentos para atendimento de pacientes graves.
No momento em que este artigo está sendo escrito, estamos no dirigindo para a última semana de agosto, faltando apenas três meses para o pagamento da primeira parcela do 13º. Salário aos funcionários.
Mesmo aqueles Hospitais que vinham destinando parte do fluxo de caixa para reservar recursos para o pagamento do 13º. Salário, tiveram que interromper a prática por falta de recursos, utilizando as sobras existentes para pagamentos mais urgentes.
Os juros no mercado caíram e há disponibilidade de recursos. Possivelmente a grande maioria das Instituições vai se socorrer junto aos bancos para honrar com o pagamento do 13º. salário e férias, que costumam aumentar no período de final de ano.
Considerando que haja recursos e que os hospitais consigam contratar empréstimos, será preciso recompor as operações, voltando a níveis normais de ocupação dos serviços e assim produzir superávit para honrar com os compromissos.
Para aquelas Instituições que se reestruturaram no período de baixa ocupação e adequaram os custos ao novo normal das receitas, o futuro que se apresenta é menos nebuloso e elas poderão retomar a normalidade das suas operações sem maiores dificuldades.
Aos que não conseguiram reagir adequadamente frente a realidade imposta, resta implementar tardiamente as necessárias mudanças e torcer para que 2021 seja o melhor ano das nossas vidas.
*Administrador Hospitalar, Mestre em Saúde Pública.
Sócio Diretor da Geesta.