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Speranzini: “Tecnologias não são bem utilizadas pelos médicos, que precisam aprender a usar melhor o que já compraram.”
Serão atendidos cerca de 3,6 mil alunos por ano. Quando inaugurado, o prédio triplicará os 1,2 mil alunos atendidos provisoriamente na unidade do Senai-SP que fica na Vila Leopoldina. A nova estrutura contará com um centro de inovação e pesquisa e uma clínica de atendimento de diagnóstico por imagem com seis ambientes (e capacidade para atender 40 pessoas por dia), 18 laboratórios, cinco salas de aula e ambientes para manutenção de equipamentos eletromédicos, órteses e próteses.
Serão oferecidos cursos técnicos de nível médio nas modalidades de aprendizagem industrial, formação inicial e continuada, além de educação à distância. Segundo Walter Vicioni, um curso de graduação para a formação de tecnólogos em radiologia, com duração de três anos, está em estudo e deve ser ministrado na nova infraestrutura.
John Dineen, presidente e CEO global da GE Healthcare, disse durante o anúncio que formar mão de obra qualificada para o setor de saúde no País é um desafio, e que a parceria com o Senai-SP é parte do caminho para a solução. “O Brasil está trabalhando para melhorar o sistema de saúde fazendo os investimentos necessários, e nós também, investindo em fabricação local e agora em educação, para que as novas tecnologias possam ser efetivamente utilizadas”.
O executivo diz que aprimorar o sistema de saúde exige encontrar novas formas de investir não só em equipamentos, mas também em capital humano. A parceria no Brasil, neste sentido, busca encontrar parceiros em educação para desenvolver esse recurso. “Não há investimento melhor do que melhorar a saúde do país”, ponderou Dineen.
Ao todo, o Senai-SP investirá R$ 28 milhões na reforma do prédio e R$ 9 milhões em equipamentos. A GE Healthcare, por sua vez, investiu R$ 7 milhões em equipamentos em regime de comodato – R$ 4 milhões já em funcionamento e outros R$ 3 milhões a partir da assinatura do acordo – na unidade da Vila Leopoldina, que serão integralmente transferidos para o Cambuci em 2015.
Segundo Walter Vicioni, superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, a grande vantagem da nova estrutura é juntar, em um ambiente real de atendimento e aprendizado, os pacientes da clínica médica e os alunos. “O momento é único na história do Senai de São Paulo. É a primeira vez que se estrutura um projeto tão ambicioso, com uma escola totalmente voltada para a indústria de equipamentos médicos”, disse. “As possibilidades da parceria com a GE Healthcare incluem atividades de formação profissional, desenvolvimento tecnológico e inovação.”
Para Paulo Henrique Fraccaro, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO), a parceria é um passo importante em um momento em que 62% dos produtos utilizados pelo setor de saúde no País são importados.
Cenário
Daurio Speranzini, vice-presidente da GE Healthcare para a América Latina, disse que o acordo atende uma necessidade premente: embora nos últimos 3 anos a infraestrutura do setor de saúde no Brasil cresceu quase 70%, o investimento em educação na mesma área não cresceu mais que 14%. “Se ainda temos uma defasagem em equipamentos, temos uma maior ainda na formação de mão de obra qualificada”, disse.
E a questão ultrapassa o mero investimento em compra de equipamentos modernos. “Essas tecnologias não são bem usadas pelos médicos, que precisam aprender a usar melhor o que já compraram”, sustentou Speranzini, segundo o qual o projeto com o Senai-SP também objetiva espalhar o conhecimento sobre as tecnologias da GE Healthcare para outras regiões do País por meio da educação à distância, principalmente Norte e Nordeste.
O executivo diz que a nova unidade educacional contará com todo tipo de equipamento comercializado pela marca no Brasil, incluindo ressonância computadorizada, aparelhos de raio X e ultrassom e para medicina intensivista (UTI). Para estes últimos, farão parte do esforço de formação médicos, enfermeiros e biomédicos. “Você precisa saber interpretar todos os equipamentos e informações dadas, o que é extremamente sensível porque o paciente está em estado crítico. Pequenas alterações podem causar grandes problemas para o paciente.”
Estratégia
Em termos de investimento, Speranzini diz que a GE Healthcare enxerga o momento do Brasil como uma “grande oportunidade”. Apesar do baixo crescimento previsto para o PIB do País, o executivo vê na resposta do governo às recentes manifestações populares duas grandes áreas de atuação: saúde e infraestrutura. A expectativa é que o mercado geral de saúde cresça entre 7% e 8% em 2013, como ocorreu no ano anterior, mas o número pode ser “ainda maior”.
Segundo Speranzini, a GE, em todas as divisões, espera crescer acima de dois dígitos em 2013.
O Pacto pela Saúde, anunciado pela presidente Dilma Rousseff, que inclui grandes investimentos em novos hospitais e unidades de pronto-atendimento, aumentou a demanda por equipamentos em alguns estados isoladamente. “Não é ainda o aumento que esperávamos em consequência das manifestações, mas temos sim visto o crescimento”, disse. O executivo também disse que a empresa está disposta a participar de parcerias público-privadas (PPPs) para aumentar o investimento do governo em um dos calcanhares de Aquiles da saúde pública brasileira: a gestão de ativos.
FONTE: http://saudeweb.com.br/38109/senai-sp-e-ge-healthcare-investem-r-44-mi-para-formacao-industrial-em-saude/